sábado, 4 de maio de 2013




NOITE ESCURA

Louca de paixão ela saiu caminhando na noite.
Em busca nem sei do quê.
Num céu sem lua ela nada buscaria.
O firmamento coalhado de estrelas lhe bastaria?
Naquela noite não.
Então?
Só sei que ela saiu andando... vagando.
Ia pensando. Na verdade os próprios pensamentos ia atropelando.
E eis que ouviu um pio.
Um pio noturno pode ser assustador e foi.
O coração se apertava no peito.
O pio ia se fazendo forte, intenso já...
O escuro parecia se fazer ainda maior e lhe veio o pavor da noite...
Tudo nela era uma confusão... o medo, o que a levara a caminhar dentro da noite (a paixão)...
Naquela hora os sentimentos pareciam tomar outra dimensão.
Como amansar o coração?
Um filhote de coruja se aproximou. Ele era a resposta pra o aflito pipilar.
O pobre tinha se perdido da mãe.
Talvez o assustasse a mulher de aspecto aflito que andava como uma alma penada, mas o fato de ter se perdido e a noite o assustavam mais.
Ele aceitou as mãos que ela oferecia.
Os dois ficaram ali... numa troca de energia.
Com a ave na mão a mulher botou os olhos no horizonte...
A aurora se anunciava e o filhotinho em sua mão dormitava.
Lentamente ela saiu caminhando. Percebeu que a mãe do pobrezinho se aproximava e entregou-o...
Pouco depois a manhã chegou... e ela pra casa voltou...
Da paixão nem mais se lembrou...
O sono lhe chegava e uma sensação de paz... o filhote estava seguro com a mãe e seu coração feliz pela boa ação noturna.
Saíra como uma desesperada e voltava aliviada.
Ela que fora em busca de ajuda ajudara uma pobre ave agoniada.
Antes de se deitar deu uma boa risada.

sonia delsin 

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