NOITE
ESCURA
Louca de paixão
ela saiu caminhando na noite.
Em busca nem sei
do quê.
Num céu sem lua
ela nada buscaria.
O firmamento
coalhado de estrelas lhe bastaria?
Naquela noite não.
Então?
Só sei que ela
saiu andando... vagando.
Ia pensando. Na
verdade os próprios pensamentos ia atropelando.
E eis que ouviu um
pio.
Um pio noturno
pode ser assustador e foi.
O coração se
apertava no peito.
O pio ia se
fazendo forte, intenso já...
O escuro parecia
se fazer ainda maior e lhe veio o pavor da noite...
Tudo nela era uma
confusão... o medo, o que a levara a caminhar dentro da noite (a paixão)...
Naquela hora os
sentimentos pareciam tomar outra dimensão.
Como amansar o
coração?
Um filhote de
coruja se aproximou. Ele era a resposta pra o aflito pipilar.
O pobre tinha se
perdido da mãe.
Talvez o
assustasse a mulher de aspecto aflito que andava como uma alma penada, mas o
fato de ter se perdido e a noite o assustavam mais.
Ele aceitou as
mãos que ela oferecia.
Os dois ficaram
ali... numa troca de energia.
Com a ave na mão a
mulher botou os olhos no horizonte...
A aurora se
anunciava e o filhotinho em sua mão dormitava.
Lentamente ela
saiu caminhando. Percebeu que a mãe do pobrezinho se aproximava e entregou-o...
Pouco depois a
manhã chegou... e ela pra casa voltou...
Da paixão nem mais
se lembrou...
O sono lhe chegava
e uma sensação de paz... o filhote estava seguro com a mãe e seu coração feliz
pela boa ação noturna.
Saíra como uma
desesperada e voltava aliviada.
Ela que fora em
busca de ajuda ajudara uma pobre ave agoniada.
Antes de se deitar
deu uma boa risada.
sonia delsin

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