sexta-feira, 10 de maio de 2013




Ode a um jardim...

O jardim está morto.
Mais pra cemitério do que para jardim.

As saúvas se encarregaram de levar as últimas folhas da roseira e isto faz tempo.
(Nem mesmo as roseiras selvagens sobreviveram ao ataque delas).
Parasitas cobriram os arbustos.
Os canteiros onde bailavam borboletas e colibris que me encantavam... o que sobrou foi um amontoado de pedras e folhas ressequidas.
De pé mesmo só está o caule do coqueiro que deve ter implorado água aos céus.
(Eles que aguentavam um bom tempo sem chuva).
Onde houve tanto riso... hoje sobra o silêncio e a desolação.
Tudo acabado.
Finito, o que foi tão bonito.

Aqui, eu juro que aqui existia uma linda trepadeira que toda faceira se estreitava num abraço a uma árvore robusta.
Aqui ficava guardado o regador e as ferramentas do velho jardineiro.
Quantas vezes conversamos embaixo do coqueiro.
O que foi feito do quartinho tosco?
Até os pássaros que aqui faziam seus ninhos no passado fugiram deste lugar deprimente.
Me pergunto: existira um céu para os passarinhos?
E das crianças que vivem a bulir dos ninhos, o que é feito delas?

Devolver a vida a este lugar?
Colorir um jardim morto, mas vivo em minh’alma?
Dentro do meu coração meninos apressados buscam papel crepom e num instante enfeitam tudo.
A morte não chega ao meu jardim.
Não chega.
Eu não permito.
Enquanto ele dorme num recanto de minhas lembranças se mantém intocado.
É eternamente belo e posso ouvir o canto dos pássaros.
Balançam as flores de papel crepom... ou serão naturais?

sonia delsin 

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